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Rombo na previdência gera um déficit de R$ 1,5 mil por contribuinte

Uma análise de dados mostra a urgência na mudança das regras, mudanças que ameaçam chegar também ao regime próprio, por exemplo, de funcionários públicos.

Disposição para manter o corpo firme, para muitos aposentados tem de sobra. Seu José Nicolá, 78 anos, Sérgio e Cleide, 63. Faz tempo que eles estão na vontade de “curtir” a aposentadoria.

Todos entraram pro time dos aposentados e pensionistas quando tinham pouco mais de 40 anos de idade, e todos passaram a receber pelo regime geral da previdência social, o INSS. A lei atual ainda permite que outras pessoas se aposentem cedo assim.

Hoje os brasileiros vivem, em média, até os 76 anos. Em 2030, viverão até os 79. Isso significa mais anos recebendo aposentadoria ou pensão. A conta, que já está ruim, pode se tornar impagável.

Atualmente quase 55 milhões de servidores contribuem para o INSS, são os trabalhadores na ativa. Esse dinheiro mantém os mais de 33 milhões de aposentados e pensionistas e, mesmo tendo um número maior de contribuintes, a previdência já tá com um tremendo rombo. Em uma média geral, esse déficit é de 1,5 mil por contribuinte.

O caixa no vermelho é consequência, entre outras coisas, do pagamento de benefícios de gente que não é obrigada a colaborar com o regime, caso, por exemplo, dos trabalhadores rurais.

E, também, porque a maior parte dos benefícios da previdência está atrelada ao salário mínimo, que desde 2002 subiu 77% acima da inflação.
“Todo esse ganho real foi transferido pra aposentados e pensionistas. É curioso, porque eles tiveram mais ganho real do que os trabalhadores da ativa, que sustentam o sistema. entao isso fez com o que gasto previdenciario crescesse muito, muito”, aponta Paulo Tafner, pesquisador do IPEA.
No regime geral da previdência, no INSS, o sapato também está apertando. Na previdência dos servidores públicos, sejam federais, estaduais ou municipais, quem olha para as contas futuras também se assusta. Hoje, 6 milhões de funcionários, pouco mais do que isso, contribuem para o regime próprio de previdência social e quase 3,5 milhões de aposentados e pensionistas recebem por esse regime. Assim como no INSS, a conta já não fecha. O rombo é de R$ 127 bilhões, ou, a grosso modo, dá mais de R$ 20 mil por contribuinte.

Dessa forma, a matemática do regime próprio de previdência está ainda mais assustadora.

“Nós estamos caminhando para um mundo, no meu ponto de vista, esquizofrênico, em que os recursos arrecadados pelos impostos, em vez de voltar para a sociedade sob a forma de boa prestação de serviço, investimento, infraestrutura, que gera bem estar para todo mundo, está sendo convertido cada vez mais para o pagamento de funcionários públicos, que, convenhamos, é um grupo dentro do Brasil altamente privilegiado”, explica o pesquisador Paulo Tafner.

Pelos números, é certo que essas contabilidades precisam de rearranjo sob pena de todo um sistema morrer à míngua.

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